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Deportação nazista de homossexuais: uma viagem à dor e ao silêncio


Resumo -Este artigo analisa o livro Moi, Pierre Seel, déporté homosexuel (“Eu, Pierre Seel, Deportado Homossexual”, sem tradução para o português), autobiografia do único francês homossexual a falar abertamente sobre sua experiência de deportado durante a Segunda Guerra Mundial e de prisioneiro do campo de concentração nazista. É o testemunho de uma longa viagem à dor e ao silêncio.

Palavras-chave -literatura de testemunho, homossexualidade, nazismo.

Muitas vezes, quando se fala em viagens, são evocados bons momentos e belas imagens. Mas para milhares de homossexuais que foram perseguidos pelo regime nazista e enviados a campos de concentração, as lembranças são bem diferentes, são de momentos dolorosos, sofridos e traumáticos. É o que se pode observar com a autobiografia do francês Pierre Seel, deportado ao campo de Schirmeck-Vorbrück, na região da Alsácia, o único em solo francês. Depois de anos de silêncio, resolveu contar sua história, testemunhar, denunciar. Assim, escreveu Moi, Pierre Seel, Déporté Homosexuel (“Eu, Pierre Seel, Deportado Homossexual”, sem tradução para o português).

Com a Segunda Guerra Mundial, a região da Alsácia foi tomada pelos nazistas, e em 3 de maio de 1941, ainda aos 17 anos, Seel foi capturado. Depois de ficar dez dias na cadeia da cidade, onde sofreu tortura, foi transferido ao campo de concentração de Schirmeck-Vorbrück. A primeira viagem rumo à dor. Lá, foi obrigado a usar um uniforme marcado com uma faixa azul, que significava católico e/ou prisioneiro anti-social, ao invés do triângulo rosa, símbolo que marcava os homossexuais capturados em Auschwitz, mas que não estava sendo usado em Schirmeck. Porém, sabia-se que o eram. Os nazistas, assim, faziam uso da tortura para tentar descobrir outros homossexuais que ainda não haviam sido capturados. “A engrenagem de violência se acelerou. Irritados com nossa resistência, os SS começaram a arrancar as unhas de alguns de nós. Com raiva, eles romperam as réguas sob as quais nós estávamos ajoelhados e se serviram delas para nos violar. Nossos intestinos foram perfurados. O sangue salpicava por todo lado. Eu ainda escuto nossos atrozes gritos de dor. (SEEL, 1994, p. 39, tradução minha).

Podemos observar que uma importante questão presente em sua autobiografia é a da violência sofrida, das torturas. Esta é, aliás, uma das características desse tipo de escrita, pertencente à Literatura de Testemunho, que engloba as diversas narrativas de situações-limite. “Essa ética e estética da literatura de testemunho possui o corpo – a dor – como um dos seus alicerces.” (SELIGMANN-SILVA, 2005, p. 111).

Pierre Seel narra, assim, como foi o tempo que passou no campo de concentração e tudo o que foi obrigado a suportar. “Eu vivi seis meses desse jeito, nesse espaço onde o horror e a selvageria eram a lei. Mas eu demoro a evocar a provação que foi a pior para mim, embora ela tenha se passado nas primeiras semanas do meu encarceramento nesse campo. Ela contribuiu mais que tudo a fazer de mim essa sombra obediente e silenciosa entre os outros.” (SEEL, 1994, p. 58, tradução minha).

Seligmann-Silva afirma que, “na literatura de testemunho de um modo geral é frequente a concepção do campo como constituindo a “única realidade” e a afirmação da impossibilidade de saída dele, da impossibilidade de libertação dele.” (Seligmann-Silva, 2005, p. 110). Também vemos isso presente nas memórias de Pierre Seel: “O ritmo infernal do campo, feito de jornadas repetitivas pontuadas de humilhações incessantes, instalou-se por muito tempo em meu corpo, em minha cabeça. Nada se passava além do ciclo cotidiano de atrocidades tranquilamente programadas pelos SS.” (SEEL, 1994, p. 61, tradução minha).

Depois desses meses passados e sofridos no campo de concentração, foi libertado. Ele narra, em sua autobiografia, como estava seu estado mental, ao sair e andar pelas ruas de Schirmeck, rumo à estação de trem: “Uma hora mais cedo, não longe da forca, eu fazia ainda gestos de autômato descerebrado em meio a gritos, cães, pequenas metralhadoras e torres de vigilância.” (SEEL, 1994, p. 64, tradução minha). E observamos em seu texto que são repassadas à escrita todas as indagações que ele se fazia ao sair de lá, narrando também como aconteceu seu retorno para casa e como se sentiu ao se deparar com sua família. “uando cheguei em casa, eu toquei a campainha como um estranho.” (SEEL, 1994, p. 65, tradução minha). Estrangeiro, aquele que é diferente, que vem de um outro lugar, que não pertence a um grupo, a uma cidade, a uma família. Aquele que não compartilha os mesmos signos, não é familiar, conhecido. Estranho. Era assim que se sentia.

“Nós estávamos em 6 de novembro de 1941. Um duplo segredo acabava de se selar de uma só vez: o do horror nazista e o da vergonha de minha homossexualidade. De vez em quando, um olhar caía sobre mim, cheio de interrogações sobre meu aspecto famélico. Em que eu havia me transformado em seis meses? Eu era, portanto, homossexual? Que me haviam feito passar os nazistas? Por que haviam me libertado? Essas questões naturais, ninguém as colocava. Mas se alguém tivesse feito, eu não teria respondido: eu estava preso ao meu duplo segredo. E a esses olhares silenciosos, eu levei quarenta anos para responder.” (SEEL, 1994, p. 66, tradução minha).

Vemos, portanto, que foi uma viagem bem longa essa do silêncio. Antes de Pierre Seel ter sido libertado do campo de concentração, teve que assinar uma declaração em que aceitava tornar-se um cidadão alemão, como podiam fazer os alsacianos sob a ocupação. Essa era uma tática nazista, pois, com isso, foi obrigado a fazer parte do exército alemão e a lutar na guerra, durante três anos. Sua segunda viagem ao sofrimento.

“Portanto, a guerra, aos dezoito anos e meio, e com o uniforme alemão. Eu não me lembro da minha partida de Mulhouse; e os três anos que se seguiram, em que eu atravessei a Europa toda, muitos detalhes, lugares, datas, escapam-me completamente. Eu faço um esforço para me lembrar e para delimitar os acontecimentos, mas eles se esquivam: esquecidos? reprimidos? É como se, nas garras dos nazistas, eu tivesse concentrado toda minha vontade na ideia única de sobreviver, e não na de me lembrar. Somente fragmentos de memória se mantêm, aleatórios, desconcertados em sua desordem”. (SEEL, 1994, p. 69, tradução minha).

Observamos, assim, em seu relato, uma memória fragmentada. Outra característica da literatura de testemunho. Isso é decorrência da situação extrema pela qual passou o sobrevivente. O filósofo Paul Ricoeur afirma, em seu livro A História, a Memória, o Esquecimento, que a testemunha não esteve ela mesma distante dos acontecimentos, ela não ‘assistiu’ a eles; ela foi sua vítima. E, dialogando com Saul Friedlander, escritor do livro Probing the Limits of Representation, o filósofo aborda a questão do limite.

“O vocábulo pode designar dois tipos de limites: de um lado, um tipo de esgotamento das formas de representação disponíveis em nossa cultura para dar legibilidade e visibilidade ao acontecimento chamado ‘solução final’; de outro lado, uma solicitação, uma exigência de ser dito, representado, elevando-se do próprio cerne do acontecimento, procedendo, portanto, dessa origem do discurso que certa tradição retórica considera como o extralinguístico, banido da terra semiótica”. (RICOEUR, 2008, p. 267).

Além disso, a violência sofrida, ou seja, “os danos físicos infligidos das rupturas de contrato, as contestações a respeito de atribuição de bens, de posições de poder e de autoridade, e todos os outros delitos e crimes constituem outras tantas feridas de memória que demandam um trabalho de memória inseparável de um trabalho de luto visando a uma reapropriação por todas as partes do delito e do crime, apesar de sua estranheza essencial. Da cena traumática à cena simbólica, poderíamos dizer” (RICOEUR, 2008, p. 334).

Seel sofreu muitos atos violentos, e violência de toda espécie, desde corporal à simbólica. Ademais, presenciou a morte de muitas pessoas, inclusive de pessoas que amava. E também foi obrigado a matar para não morrer. Todas essas fortes impressões podem gerar traumas, que podem ser fortes demais e ser apagados ou então podem estar presentes para sempre. Permanecem mesmo quando estão inacessíveis, indisponíveis. Em seu lugar, aparecem fenômenos de substituição, sintomas que mascaram o retorno do recalcado de modos diversos, como, por exemplo, os sonhos. Além disso, percebemos também em Pierre Seel a “síndrome do sobrevivente”, termo usado por W. G. Niederland para representar uma “situação crônica de angústia e depressão, marcada por distúrbios de sono, pesadelos recorrentes, apatia, problemas somáticos, anestesia afetiva, ‘automatização do ego’, incapacidade de verbalizar a experiência traumática, culpa por ter sobrevivido e um trabalho de trauma que não é concluído” (SELIGMANN-SILVA, 2005, p. 68).

Pierre Seel nos narra:
“Um fantasma eu me tornei e um fantasma eu permanecia: não devia ainda ter tomado consciência de que eu continuava vivo. À noite, me visitavam pesadelos e durante o dia eu praticava o silêncio. Eu queria esquecer todos os detalhes e todos os terrores dos quatro anos que eu acabava de viver. Estava totalmente exausto por meus múltiplos enfrentamentos com a morte e constatava dolorosamente a impotência que eu havia sentido ante a morte dos outros. Uma tristeza imensa havia se apossado de mim. E eu não tinha desejo algum.” (SEEL, 1994, p. 113, tradução minha).

Quatro anos de muito sofrimento, percorrendo vários lugares da Europa, tendo sido transformado pelos nazistas em um fantasma a serviço da morte. O armistício foi selado em 8 de maio de 1945, terminando assim a guerra. Porém sua repatriação tardou a acontecer. A demorada e burocrática volta à França ocorreu somente no dia 7 de agosto de 1945, chegando a Paris, onde ficou ainda por mais um ano, ajudando no registro dos repatriados. Enfim, depois de quatro anos, retornou a sua cidade, Mulhouse. Mas constatou: “Eu já comecei a censurar minhas lembranças e percebi que, apesar das minhas expectativas, apesar de tudo que eu havia imaginado, da emoção do retorno tão esperado, a verdadeira Libertação era para os outros.” (SEEL, 1994, p. 110, tradução minha). Começou, portanto, uma outra viagem, a do silêncio.

Um grande fator que contribuiu para isso foi que, com o fim da guerra, o governo Charles de Gaulle modificou o código penal francês, retirando principalmente leis anti-semitas. Porém, os artigos contra homossexualidade continuaram, tornando-se ainda mais rígidos em 1962. Somente em 1981 deixou de ser ilegal na França. Portanto, as vítimas homossexuais sentiam-se inseguras para contar suas verdadeiras histórias, por medo do estigma e de possíveis ações legais, e, assim, omitiam-nas, ou mesmo mentiam. O testemunho dos homossexuais era, portanto, socialmente inaudível, impossível e perigoso. Assim, relata Seel: “Tendo conhecimento da existência dessa lei, eu compreendi também que ao falar, eu corria o risco de ser ameaçado do lado dos tribunais, e acusado de fazer apologia de uma sexualidade 'contra-natureza'.” (SEEL, 1994, p. 115). Os homossexuais somente foram reconhecidos como vítimas do nazismo há alguns anos. O governo alemão pediu desculpas, em novembro de 2000, pelas deportações e torturas sofridas. E o estado francês reconheceu somente em abril de 2001 as perseguições sofridas por eles durante a Segunda Guerra Mundial.

Assim, depois de anos de auto-censura, silêncio e solidão, Pierre Seel resolve tentar levar uma vida “normal”. E, para isso, acreditava que o casamento era a solução. Desse modo, Seel casou-se, em 1950, tendo, mais tarde, três filhos. No entanto, tudo isso havia sido apenas uma ilusão. Anos depois, percebendo que não havia dado certo sua tentativa e sentindo-se muito angustiado, resolveu quebrar o silêncio. E aqui vemos outra marca muito importante da literatura de testemunho. A narrativa “é tecida como uma forma de se ‘libertar’ do passado como também se desdobra como um doloroso exercício de construção da identidade. Ela é uma narração necessária tanto em termos individuais como também – pensando universalmente – deve funcionar como um testemunho para a posteridade. Ela é um ato subjetivo e objetivo, psicológico e ético” (SELIGMANN-SILVA, 2005, p. 114).

Testemunhar foi algo que lhe fez bem. “Eu reconheço que tudo isso me tranquilizou. Eu me senti subitamente rodeado de um novo respeito pela minha identidade. E eu mesmo me olhei com mais dignidade. Sem dúvida porque eu tinha desse momento em diante um dever: fazer reconhecer a deportação dos homossexuais.” (SEEL, 1994, p. 159, tradução minha).

Bella Josef nos diz que “o testemunho nasceu, muitas vezes, da necessidade de apresentar o lado escondido da história, a dos dominados em oposição à dos dominadores.” (JOSEF, 1999, p. 298). Ela afirma também que, partindo-se do pessoal, tenta-se superá-lo para impor uma problemática coletiva, que foi justamente o que fez Seel. Ao falar de si e prestar seu testemunho, busca resgatar a memória coletiva desse grupo que, assim como ele, foi perseguido pelo fato de ser homossexual. O “eu” representa, assim, também os outros; temos um passado particular que pode ser visto também como coletivo.

Portanto, Pierre Seel dá voz a esse coletivo do qual fez parte, buscando que a justiça seja feita. Segundo Paul Ricoeur, é esta que transforma a memória em projeto, extraindo das lembranças traumatizantes seu valor exemplar, e é esse mesmo projeto de justiça que dá ao dever de memória a forma do futuro e do imperativo.
“É preciso primeiro lembrar que, entre todas as virtudes, a da justiça é a que, por excelência e por constituição, é voltada para outrem. (...) O dever de memória é o dever de fazer justiça, pela lembrança, a um outro que não o si. (...) O dever de memória não se limita a guardar o rastro material, escrito ou outro, dos fatos acabados, mas entretém o sentimento de dever a outros, que não são mais, mas já foram.” (RICOEUR, 2008, p. 101).

Essa é uma outra característica extremamente relevante da literatura de testemunho, pois ela existe apenas no contexto da contra-história, da denúncia e da busca pela justiça. “A verdade e a utilidade são, portanto, fundamentais.” (Seligmann-Silva, 2005, p. 88). Busca-se um registro da história, da opressão, e há uma simbiose entre memória e história.

Assim, vemos que a autobiografia, como afirma Phillipe Lejeune, “é feita para transmitir um universo de valores, uma sensibilidade ao mundo, experiências desconhecidas, e isto no quadro de uma relação pessoal percebida como autêntica e não ficcional.” (LEJEUNE, 2003, p. 53-54). E, portanto, inscreve-se tanto no campo do conhecimento histórico, pelo desejo de saber e de compreender; no campo da ação, pela promessa de facultar esse conhecimento aos outros; como também na área da criação artística, afinal trata-se de um texto literário.

De acordo com Georges Gusdorf, as Memórias propõem uma crônica pessoal do devir histórico, colocando a ênfase sobre a ordem das coisas, ao invés da subjetividade própria do narrador. “Sem dúvida, ele reage ao acontecimento com uma certa complacência de si mesmo, que ele não precisa dissumular, mas o interesse principal se coloca nos acontecimentos políticos, militares, diplomáticos aos quais o redator esteve envolvido.” (GUSDORF, 1991, p. 252, tradução minha).

Gusdorf diz também que a autobiografia permite ao historiador ver a realidade com os mesmos olhos dos que a viveram. No entanto, há uma relação objetiva dos acontecimentos de que o autor participou, pois busca ser uma testemunha destinada a trazer uma contribuição à história de seu tempo, mesmo estando inscrito no interior de suas lembranças. Seel afirma: “Testemunhar, dizer tudo, exigir reabilitação do meu passado, desse passado que é também o de muitos outros, esquecidos, ocultos nas horas negras da Europa. Testemunhar para proteger o futuro, testemunhar para acabar com a amnésia dos meus contemporâneos.” (SEEL, 1994, p. 156-157, tradução minha).

A autobiografia de Pierre Seel é, deste modo, um importante texto, tanto em termos literários, quanto em termos de documento histórico. Ricoeur afirma que “não temos nada melhor que o testemunho, em última análise, para assegurar-nos de que algo aconteceu, a que alguém atesta ter assistido pessoalmente” (RICOEUR, 2008, p. 156). Seel escreve justamente para dar seu testemunho. Para fazer visíveis as crueldades sofridas pelos homossexuais, recuperando, assim, a memória de um passado de repressão, e buscando o reconhecimento desse grupo, considerado como o mais inferior, pelos nazistas, e por muitas pessoas ainda hoje. E é justamente contra a repetição dessas situações de barbárie que Seel escreveu a história de sua vida, a história das difíceis viagens rumo à dor e ao silêncio.

Abstract: This article discusses the book Moi, Pierre Seel, déporté homosexuel (Liberation Was for Others: Memoirs of a Gay Survivor of the Nazi Holocaust, in its English version), autobiography of the only French homosexual to openly speak about his experience of deported during the Second World War and prisoner of a Nazi concentration camp. It is the testimony of a long journey to pain and silence.

Keywords: literature of testimony, homosexuality, Nazism

REFERÊNCIAS
GUSDORF, Georges. Les écritures du moi. Paris: Ed. Odile Jacob, 1991.
JOSEF, Bella. “(Auto)biografia: os territórios da memória e da história”. In LEENHARDT, J. e PESAVENTO, S. (orgs.). Discurso histórico e narrativa literária. Campinas: Editora da Unicamp, 1998.
LEJEUNE, Phillipe. “Definir Autobiografia”. In MORÃO, P. (org.). Autobiografia. Auto-representação. Lisboa: Fac. Letras de Lisboa, 2003.
RICOEUR, Paul. A memória, a História, o Esquecimento. Campinas: Editora da Unicamp, 2008.
SEEL, Pierre; LE BITOUX, Jean. Moi, Pierre Seel, déporté homosexuel. Paris: Éditions Calmann-Lévy, 1994.
SELIGMANN-SILVA, Márcio (org.). O local da diferença: ensaios sobre memória, arte, literatura e tradução. São Paulo: Editora 34, 2005.

FONTE: http://www.pgletras.uerj.br/palimpsesto/num7/dossie/dossie_TiagoElidiodaSilva.htm

Source : Deportação nazista de homossexuais: uma viagem à dor e ao silêncio, Tiago Elídio (Mestrando, UNICAMP). Tiago Elídio peut être contacté à l'adresse suivante : tiagoelidio@gmail.com

Photo : Paris, le 29 avril 2001. Commémoration de la Journée nationale du souvenir de la déportation, sur l'Ile de la Cité, à Paris. Pierre Seel, à gauche, en compagnie de Jean Le Bitoux, président d'honneur du Mémorial de la Déportation Homosexuelle. Contrairement aux années précédentes, les délégations officielles (représentées sur cette photo par des militaires en tenue) n'ont pas quitté les lieux à l'arrivée de la délégation homosexuelle. A l'issue de la cérémonie, Bertrand Delanoë, maire de Paris, s'est entretenu avec les participants, parmi lesquels : Mme Simone Weil (ancienne déportée à Auschwitz, ancienne ministre), M. Pierre Seel, M. Masseret (Secrétaire d'Etat à la Défense chargé des anciens combattants), M. Jean Le Bitoux et M. René Lalement, président du Mémorial de la Déportation Homosexuelle (Photo : Franck Dennis - no copyright).

Hygiène sexuelle et mesures antihomosexuelles

Dès 1928, le parti nazi a défini sa position sur l'homosexualité. Hans Perter Bleuel rapporte dans son livre "La Morale des Seigneurs" (Editions Belfont) plusieurs mesures prises par le régime nazi : l'interdiction de toute activité publique de la Fédération des Droits de l'Homme qui s'était faite le porte-parole de la minorité homosexuelle et, à l'automne 34, le fichage systématique des homosexuels connus. La voie était ouverte à la dénonciation et à l'arbitraire.

En 1936, le 11 novembre,en référence à la Nuit des longs couteaux, Hitler affirme dans une allocution sur les dangers racio-biologiques de l'homosexualité que, lorsqu'ils se sont présentés, "nous n'avons pas hésité à abattre cette peste par la mort, même entre nous". Le 26 janvier 1938, Goebbels attaquant l'immoralité de l'Eglise catholique déclare : "En 1934, des personnes qui voulaient faire dans le parti ce qui se fait dans les couvents ou entre prêtres, c'est à dire répandre cette immoralité à l'intérieur, furent tuées... Comme nous devrions être reconnaissants au Führer d'avoir extirpé cette peste !" Et Hitler d'ajouter, le 30 janvier 1939, "il y a cinq ans, quelques membres du parti se souillèrent de fautes infamantes et pour leurs crimes ils furent fusillés."

L'utilisation du fameux paragraphe 175 avait causé quelques torts mais rien de comparable avec les condamnations qui suivirent l'arrivée au pouvoir des nazis et l'affaire Röhm. En 1933, on dénombre 835 victimes de son application. En 1934 - après l'affaire Röhm - 948, 5321 en 1936 et 24 450 en 1939, qui allèrent en camp de concentration. Les condamnations légales vont baisser dans les années qui suivent, non par libéralisme mais par changement de méthodes - plus expéditives. Himmler, réorganisateur de la Gestapo, qui les employait avant guerre les "perfectionna" dans son ministère. L'exécution des "dégénérés" toucha aussi l'armée sans autre forme de procès.

Le terrain avait été préparé par les idéologues nazis - secondés par les attaques venues d'URSS. R. Diels, fondateur de la Gestapo, rapporte dans ses mémoires qu'Hitler voyait la vraie cause de la décadence de la Grèce antique dans la pédérastie. Le docteur Rudolf Klare, voix officielle du parti nazi pour les affaires homosexuelles, rappelle dans son livre "Homosexualité et Droit Pénal" que "les dégénérés doivent être éliminés pour la pureté de la race". Il réclamera par ailleurs une maison de correction pour les lesbiennes. Dans "Les Homosexualités et le Châtiment", il précise aussi que "seule une sévérité impitoyable peut amener la pureté". Hans Franck, le responsable de la Justice, déclarait : "Il convient d'attacher une attention particulière à l'homosexualité qui est l'opposé même de la communauté nationale normale. L'homosexuel incarne la négation de la communauté, le contraire de ce qu'elle doit être pour perpétuer l'espèce. Il est clair que l'homosexuel ne peut mériter la clémence."

En septembre 1935, un an après l'assassinat de Röhm, les lois de Nuremberg vont "protéger la nation allemande jusqu'à la fin des temps" en préservant le sang allemand de toute contamination. La "loi de protection du sang et de l'honneur allemands" punit y compris l'intention homosexuelle. Ce paragraphe 175 élargi ne sera supprimé en Allemagne qu'en... 1964. On comprend peut-être mieux le peu de témoignages des Triangles Roses qui, persécutés sous les nazis, seront encore interdits après la Libération par les Alliés...

La répression anti-homosexuelle s'inscrit dans le cadre général de l'idéologie nazie, symbolisée par le slogan : "Eglise-Cuisine-Enfants". Le livre "Hygiène Sexuelle" de Max von Grüber, voix autorisée du nazisme, est révélateur de la volonté hétérosexuelle du fascisme. Dès 1927, il condamnait l'homosexualité, la masturbation et écrivait que "les rapports sexuels prenaient place dans le mariage... Le but du mariage est la procréation des enfants et leur éducation. La croissance de la nation exige du mariage de produire au moins quatre enfants". Sous son influence, rapporte encore Rictor Norton, 41 centres de recyclage préparaient 215 000 professeurs à la propagation de ses théories, utilisant comme abécédaire le livre "Hygiène Raciale". Dans la même optique, une série de mesures furent prises par le régime nazi, en particulier les "crédits matrimoniaux"; on créa des fermes d'élevage, véritables haras humains, les "fontaines de vie", usines à produire de purs aryens (13 en 1944). Gertrude Scholtsklik, présidente de l'association des femmes, déclarait : "La femme allemande doit être telle qu'elle fait, et fait joyeusement, tout ce qu'il lui est demandé de faire".

Source : Histoire d'un génocide oublié, Jean-Pierre Joecker, Editions Persona, Paris, 1980.

The stepping up of prosecutions

With the support of new legal definitions of crime, a tightly knit national police and security apparatus, and a public opinion manipulated by propaganda and demagogy, the rate of prosecutions greatly increased after 1936. Whereas just a thousand people were convicted in 1934, there were already 5,310 in 1936.

Two years later, the statistics referred to 8,562 legally valid convictions. The police and prosecution departments, in the words of a regular commentary on crime figures, acted 'with ever growing vigour' against 'these moral aberrations which are so harmful to the strength of the Volk. And Prosecutor-General Wagner stressed what one could not have expected to be otherwise after all the investment in propaganda and police searches: 'the public, through its increased level of reporting, also [supports...] the fight against these offenses. Broadly speaking, no more homosexual acts were committed [ ...] than before, but they were recorded and prosecuted on a much larger scale than before.

Whereas between 1931 and 1933 a total of 2,319 persons were put on trial and found guilty of offences under §l75 of the Penal Code, this figure rose nearly tenfold in the first three years after the tougher redefinition of offenses. In the years from 1936 to 1938 the number convicted came to 22,143. No reliable data are available for the war years after 1943, so that the total number of convictions for homosexuality in the 'Third Reich' can only be estimated - roughly 50,000 men according to Wuttke. But the Gestapo or the Reich Office had considerably more on record as suspects or as presumed partners. Between 1937 and 1940 there were more than 90,000 men and youths.

Alongside this numerical increase there was also a qualitative toughening of prosecution policy. After 1933 the number of acquittals continually declined and by 1936 was down to a mere quarter of the figure for 1918 (the year with the most verdicts of 'not guilty'). The same trend is apparent in the fines handed down by courts, in comparison with which there was a marked increase in sentences of imprisonment or penal servitude. Men with previous convictions were treated with particular severity - above all so-called corrupters of youth, but also young men considered to be 'rentboys'.

At the instigation of the Reich Offfice special mobile units of the Gestapo carried out operations in a number of towns. The reasons could be quite varied: from the eradication of 'centres of the epidemic' in day or boarding schools to denunciations with a real or alleged political background.

There is no evidence of a sudden nation-wide 'clampdown' comparable to the attacks on Jews in the pogrom night of 1938. But the offensive was certainly coordinated in a number of ways. This was particularly true of actions with a clear political motivation: e.g., the arrests of thousands of priests, religions brothers and lay persons during the staged 'cloister trials' against the Catholic Church or the targeting of the activities of the Bund Youth that had already been banned in 1934, where special prominence was given to the trial of the Nerother Wandervogel in 1936.

The ultimately arbitrary nature of the Nazis' practice, especially that of Heinrich Himmler as architect of their anti-homosexual policy, is illustrated by the special regulation approved in October 1937 for actors and artists. Under the pretext of 'Reichization'- that is, of applying uniform norms throughout the Reich - the rules on preventive detention and police supervision that had been issued three years before were made tougher still at the end of 1937.

Now anyone who fitted the completely arbitrary criteria for an 'experienced' or 'habitual' male homosexual had to reckon that, after serving his term of imprisonment or penal servitude, he would be deported for 're-education' in a concentration camp.

Source: Hidden Holocaust ?, Günter Grau, Cassell, 1995. Translated from German by Patrick Camiller.

Homosexualité et fascisme

En Union soviétique, une législation promulguée récemment soumet l'homosexualité à de lourdes condamnations. Voilà qui surprend, et l'on se demande sur quelle logique et quelle morale un gouvernement socialiste peut se justifier pour amputer de ses droits et diffamer une groupe humain précis dont la " culpabilité " repose sur des penchants particuliers qui lui ont été donnés par la nature, mais c'est ainsi.

Les ennuis et les scandales que l'Union soviétique connaît dans ses territoires orientaux ont certainement poussé à l'instauration de ce genre de loi humiliante - contre laquelle la gauche des pays de l'Europe centrale et occidentale s'acharne à se battre depuis des décennies. A ces difficultés cruciales, qu'il faudrait, à coup sûr, régler par d'autres mesures, vient sans doute se greffer aussi l'état d'esprit du moment. C'est à cet état d'esprit, et en aucune façon aux difficultés en question, que j'accorderai la prépondérance. Par état d'esprit du moment, je n'entends pas simplement, et pas en premier lieu, la tendance toujours plus nette en Union soviétique à réfléchir et à porter un jugement sur le sens de l'érotisme dans un sens de plus en plus sévère et conservateur, tendance qui peut s'expliquer par une réaction contre des libertés devenues peut-être excessives. J'entends plutôt cette méfiance et cette aversion envers tout ce qui est l'homoérotisme, qui atteignent un degré intense dans la plupart des milieux antifascistes et dans presque tous les milieux socialistes.

On n'est plus loin d'identifier l'homosexualité au fascisme. Impossible de garder là-dessus le silence plus longtemps. Nous combattons les préjugés raciaux. Et nous laisserions cependant se propager le préjugé le plus insensé contre certains penchants particuliers ?... On semble oublier de quel côté provient tout ce qui a été accompli pour discréditer et diffamer l'homosexualité. L'article 175 a été défendu et maintenu par la bourgeoisie réactionnaire et par l'Eglise, laquelle a justement montré là un élément de sa nature qui fait qu'elle nous restera toujours étrangère et hostile. Ce qui était progressiste était contre cet article. La lutte contre l'homosexualité était l'affaire " morale " de la bourgeoisie; elle a été menée avec le même pathos que la lutte contre l'amour libre, autrement dit avec le pathos d'une " morale " qu'aujourd'hui nous ne combattons même plus (comme Wedekind pouvait encore le faire), mais à laquelle nous sommes tout simplement hermétiques. L'idée même de ce qui est moral a changé. Mais voici que, sous d'autres présages, nous daignons revenir sur cette idée. Quand on est arrivé à l'âge adulte, est-ce encore un sujet de conversation que de se demander si l'on peut accorder à chacun le droit d'aimer d'une manière qui soit précisément sa manière à lui, à condition que les relations domestiques n'en soient pas perturbées, ni abusée l'innocence des mineurs (réserves qui valent évidemment aussi bien pour l'inverti que pour l'individu "normal")? N'a-t-on pas honte d'ouvrir à nouveau cette discussion sur quelque chose qui va de soi, de donner lieu à l'ouvrir de nouveau ?

La partie éclairée de la bourgeoisie des grandes villes a déjà surmonté sa conception étroite et fausse de la morale : tolérante sur la question de l'érotisme, elle en reste naturellement à des positions dures sur la question de la propriété. Mais maintenant c'est le socialisme qui adopte une position à laquelle même la bourgeoisie, la considérant comme désuète, a donné un coup de balai! Une phrase étonnante est attribuée à Maxime Gorki, pas moins: " Faisons disparaître tous les homosexuels, et le fascisme disparaîtra!" Hélas, il n'est pas impossible que le pape de la littérature socialiste ait vraiment dit cela. Car tel est l'état d'esprit du moment. Mais d'où vient-il donc ? D'où vient que dans les journaux antifascistes nous lisions les mots " assassins et pédérastes presque aussi fréquemment réunis que " traîtres au peuple et juifs " dans les feuilles nazies ?

Le mot " pédéraste " comme une injure - uniquement parce qu'il y en a beaucoup dans les organisations nazies qui aiment les jeunes gens au lieu d'aimer les femmes ! C'est une histoire qui a commencé avec le combat mené de façon perfide et indigne contre le capitaine Röhm. Les sottes lettres sentimentales qu'il avait envoyées d'Amérique du Sud relevaient de sa vie privée. Il était d'une vulgarité absurde et superflue de les traîner sur la place publique. La manière était non seulement vulgaire et malhabile, mais son efficacité a été nulle. Le capitaine Röhm n'en a pas été atteint: ceux qu'on espérait braquer aussi contre lui, ou bien n'ont pas cru l'histoire, ou bien n'ont rien trouvé à redire; et les autres, ceux qui ont été outrés, ne le portaient déjà pas dans leur cœur avant. Que Hitler se soit alors interposé et qu'il ait continué à couvrir celui qui se trouvait, dans un sens petit-bourgeois, "compromis", a jeté, pour la première et dernière fois, une image presque sympathique sur les odieux compères. Les gens les plus honnêtes ont dû se dire que c'était vraiment beau, que Hitler tenait à son soldat, malgré tout ce que les journaux pouvaient déblatérer sur sa vie privée. Mais que des journaux qui donnaient avec prédilection dans le "libéralisme éclairé", se mettent soudain à crier " Pédéraste ! " à la manière d'une épouse hystérique de pasteur, a dû être ressenti comme indélicat et déplacé. Je me souviens combien il était méchamment ridicule et pénible de voir un journal berlinois du soir qui avait une rédaction presque exclusivement composée d'homosexuels plutôt entreprenants, se distinguer par des titres railleurs et indignés, comme s'il n'y avait rien d'autre à reprocher aux nazis que la vie amoureuse du gros capitaine. Or il y avait cependant, et il y a toujours, tout à leur reprocher. Pas même ne peut être porté à leur crédit qu'au moins sur la question de l'homosexualité ils ont été courageux ou conséquents. Hitler n'a couvert son vieux camarade Röhm que le temps durant lequel il en avait besoin, pas au-delà. Quand il a décidé de le laisser tomber, ce qu'assurément il a fait de façon radicale, il est notoire qu'il l'a surtout accusé d'avoir des "penchants particuliers". Ce qui n'était jamais parvenu aux oreilles du Chef suprême auparavant ! Et Hitler de se scandaliser, comme les journaux libéraux de leur côté. Le Docteur Goebbels en éprouva jusqu'à une envie de vomir. Envie qui fut aussi la nôtre, causée non par le sujet de l'affaire, mais par une indignation aussi hypocritement éhontée bien sûr.

Que dans la "villa" de Röhm – qui n'avait rien d'une villa mais qui n'était qu'un bistrot – tout se soit passé différemment de qui a été raconté par Goebbels, on le comprend aisément : quelqu'un dans son genre ne va pas subitement se laisser aller à dire la vérité. Mais à supposer que le plus élevé des juges tout en haut de son tribunal ait réellement vue les "scènes dégoûtantes", alors qu'en définitive, quand on survient en intrus dans la chambre, on n'assiste jamais au spectacle, ce ne serait pas des scènes qui nous remueraient l'estomac. Elles nous donneraient plutôt à penser que même chez des gens que nous ne tenons pour rien d'autre que des bêtes féroces, existe une sorte de contact humain qui est vraisemblablement ordinaire. Ce n'est pas ce que la presse de gauche a mis en avant contre Röhm avec une insistance si particulière, puis Hitler, qui fait que nous sommes contre lui : c'est tout simplement qu'à l'instar de tous les dirigeants nazis, ce n'était qu'un gredin d'une barbarie cynique.

Mais laissons là Röhm. Ce contre quoi nous en avons, c'est qu'on dise d'un homme qui préfère son propre sexe au sexe féminin qu'il a les "penchants particuliers" du capitaine Röhm. On peut à la rigueur, dans la pire des colères, crier à un menteur notoire et invétéré qu'il ment aussi bien que le ministre allemand de la Propagande, mais c'est comme si l'on prétendait de quelqu'un qui a un pied bot, qu'en ayant l'infirmité du ministre Goebbels il se situe au même niveau moral. D'un homosexuel on pourrait finalement tout autant tirer le constat qu'il a les penchants de Léonard de Vinci ou de Socrate. Ce qui serait également stupide. Celui qui éprouve une attirance pour son propre sexe n'est vraisemblablement qu'un brave bourgeois; un ouvrier passablement appliqué. Il n'est, au cas où on en douterait, pas plus génial que bestial (il n'est ni Léonard de Vinci, ni Röhm).[... ]

Mais faut-il encore croire que ceux qui sont exclusivement homosexuels forment un groupe homogène ? Le slogan pas très heureux de "troisième sexe" a contribué à cette erreur plutôt naïve. En vérité, toutes les catégories se trouvent parmi ceux qui sont exclusivement homosexuels, de l'esthète décadent au valet de ferme; il n'y a pas simplement un groupe sui serait "actif" et un autre qui serait "passif", mais toutes les sortes d'activité et de passivité existent, avec toutes les nuances possibles entre ces deux conditions de sensibilité. L'homosexualité était répandue dans les Etats militaires prônant l'ascétisme (Sparte, la Prusse) et dans civilisations décadentes hyperraffinées (la Rome tardive, Paris et Londres au tournant de 1900). Elle a joué aussi un rôle à des époques qu'on a l'habitude de nommer des époques de splendeur: qu'on pense aux meilleurs moments d'Athènes, à la Renaissance. De tout temps, il y a eu des centaines de types différents d'homosexuels, également de très médiocres et désastreux. Il est indéniable qu'un nombre relativement grand de génies de l'humanité étaient enclins à cette forme d'amour, des génies en tous domaines et de toutes sortes, pour des raisons dont la complexité ne permet pas de débattre ici. [...]

Mais dans le pays que nous voudrions voir le plus éclairé, le plus progressiste du monde, la forme d'amour que nous évoquons est dorénavant passible d'une affreuse répression. Et dans n'importe quel journal de gauche, on lit des blagues idiotes sur les arrière-trains, alors qu'en même temps, à Berlin, sont organisées "des razzias nocturnes contre les homosexuels", envoyés ensuite dans des camps de travail.

Ce qui va tout à fait bien aux nazis, c'est, d'une part de former des cliques d'homosexuels, et d'autre part d'enfermer les homosexuels, de les castrer ou de les tuer. La gauche, elle, devrait se montrer plus objective. Mais en attendant elle adopte, sur cette question justement, les préjugés les plus boutiquiers. Avec l'explication que voici: les jeunes, mis à vivre ensemble dans des camps, sont inévitablement conduits à dormir l'un avec l'autre. Qu'on s'informe toutefois si dans les unions de jeunesse de gauche et prolétariennes, semblable chose était bannie : la réponse étonnera celui qui tient l'homosexualité pour une particularité du fascisme. C'est l'esprit de ces camps qu'il faut clouer au pilori et rejeter ; non le fait que s'y trouvent, ce qui va de soi, également des invertis, ou certains qui sont prêts à jouer les "bons compagnons". Les "ligues", à ce qu'on dit, ont toujours eu un caractère homoérotique, et c'est sur le principe des ligues que se base le fascisme.[...]

L'exercice final est toujours d'en venir au Chef suprême. la déification de sa personne aurait, consciemment ou inconsciemment, un caractère homosexuel. Qu'on demande à un jeune hitlérien qui a une petite amie s'il éprouve une attirance pour le Chef suprême, il éclatera de rire ou répondra comme à un outrage. Cette réaction n'exclut pas le complexe inconscient qui peut exister en bien des cas. La question décisive reste cependant celle-ci : quel Chef est aimé d'une telle manière ? Les marxistes ont-ils oublié que le dogme et le type de Chef que nous combattons est déterminé par les faits économiques ? Ont-ils oublié que Hitler, qui est sans aucun doute beaucoup plus chaleureusement et hystériquement aimé par les femmes petites-bourgeoises que par les hommes, virils ou efféminés, n'est pas arrivé au pouvoir grâce à "la contamination de la jeunesse allemande par l'homosexualité", mais parce que Thyssen finançait, et que les mensonges payés ont jeté la confusion dans les cerveaux de tous ceux qui avaient faim ? On est en train de faire de " l'homosexuel " le bouc émissaire, un peu " le Juif " des antifascistes. C'est abominable. Avoir en commun avec des bandits des penchants érotiques particuliers ne fait pas de vous, d'emblée, un bandit. Je n'enfonce nullement des portes ouvertes quand j'énonce une telle évidence. Beaucoup de conversations que j'ai eues et la lecture de nombreux articles tout à fait indignes dans les journaux me prouvent que répéter ces évidences est malheureusement nécessaire. L'homosexualité n'est pas à " extirper ", et si elle l'était, l'humanité en sortirait appauvrie de quelque chose d'incomparable qu'elle lui doit. Le sens de l'humanisme nouveau, pour la réalisation duquel nous voulons voir dans le socialisme un préalable, ne peut être que dans une chose : non seulement tolérer tout ce qui est humain et qui ne cause pas de troubles criminels dans la communauté, mais l'intégrer, mais l'aimer, le faire accepter, pour qu'ainsi la communauté en tire profit.

Ce texte a été initialement publié dans la revue Europäische Hefte, Prague, le 24 décembre 1934.

Source : Zahnärzte und Künstler, Klaus Mann, 1993, Rowohlt Verlag GmbH, Reinbek bei Hamburg. Traduit de l'allemand par Lionel Richard

Photo : Klaus Mann, photographié l'année de sa mort en 1949.

The Petition Against Paragraph 175


The petition campaign was launched in 1897. Its aim was to collect as many signatures as possible of prominent political and artistic figures, scientists, and doctors, on a petition calling for the removal of homosexual acts from criminal status, except in cases involving the use of force, or arousing "public annoyance," or when performed between an adult and a minor under the age of 16.

Supporters and proponents of the petition stressed several points in their effort to expose the injustice of the antigay law: that since the Napoleonic Code was adopted in 1810, homosexual acts were legal in most countries in Europe, and that this had led to no ill side-effects for society; that the law punished sexual acts between two men but left unpunished the same acts when performed between a man and a woman or between two women; that it left millions of citizens prey to blackmailers and extortionists; that rather than deliver gays from their harmless and enjoyable penchant for same-sex relations, the law drove them to despair and frequently suicide.

The [Scientific Humanitarian] Committee gave top priority to its petition campaign. For years, the first article in its yearly and quarterly reports was frequently a detailed report on the current status of the struggle, with reprints from the press, correspondence, etc., indicating what response the Committee had received, and keeping its supporters up to date on the progress being made.

In its October 1910 issue, for instance, the Committee noted: "At present, the most timely and important question for the movement for homosexual liberation seems to us to be the public opinion, and in particular the opinion of specialists, on Paragraph 250 (previously Paragraph 175) of the new draft penal code. Therefore, now as before, we shall orient our readers to all publications that take a stand either for or against the paragraph. The scope of material being published on this matter, however, is so great that we can only reproduce a few of the most typical examples."

While at times the petition campaign slackened -- as it did, for instance, when the Committee struggled to defend itself during the antigay witch hunt of 1907 and also under the ravages of the first world war -- it was never abandoned. Indeed, its most vigorous effort appears to have come after the war, when the Committee formed a united front in 1920 with two other gay groups - the German Friendship Association and the Community of the Special -- to press forward the fight against the law.

From the very start the Committee wom prominent supporters to the gay cause. On January 13, 1898, its first major supporter took the floor of the Reichstag to argue for the petition. He was the great Social-Democratic leader, August Bebel.

In addition to signing the petition, Bebel took copies of it into the Reichstag and urged his colleagues to add their names as well. Ridiculing the bourgeois government's approach to the matter, Bebel pointed out: "The number of these persons [gays] is so great and reaches so deeply into all social circles, from the lowest to the highest, that if the police dutifully did what they were supposed to, the Prussian state would immediately be obliged to build two new penitentiaries just to handle the number of violations against Paragraph 175 committed within the confines of Berlin alone."

At this point, the record of the proceedings indicates a commotion, with apparently a cry of protest from a certain von Levetzow. Bebel continued, "That is not an exaggeration, Herr von Levetzow; it concerns thousands of persons from all walks of life... But gentlemen, let me say one thing... If with regard to this law the Berlin police did their duty all the way, then there would be a scandal such as the world has never known, a scandal compared to which the Dreyfus scandal, the Lützow-Ledert and the Tausch-Normann-Schumann scandals are pure child's play."

Bebel's conception of the extensiveness of homosexual behavior was advanced for the period, half a century before the Kinsey investigations, and with anthropology only in its infancy. The Reichstag member who was so shocked by Bebel's remarks was probably typical of most people then, in viewing homosexuality as a rare, mysterious, and unnatural phenomenon.

This, like a subsequent speech by Bebel on the petition campaign in 1907, was punctuated throughout by supporting shouts of "Hear! Hear!" from the Social-Democratic benches.

The Committee carried on a phenomenal amount of propaganda activity around its petition. In 1899, for instance, it sent a letter to Roman Catholic priests throughout the country requesting them to take a stand on the question of gay oppression and gay rights. In 1900, it sent copies of its Yearbook with the responses it had received, a pamphlet on the law, and a letter to all the members of the Reichstag and of the Federal Council. It also sent a letter to 2,017 daily newspapers; another to more than 8,000 top administrative officials, provincial councillors, mayors, and justice, police, and railroad officials; and yet another to public prosecutors and presidents of criminal courts throughout the entire Reich. The latter dealt in particular with a recent spate of convictions in the province of Hannover for homosexual acts, or, in legalese, "unnatural lewdness." In 1901, it sent 8,000 copies of the petition to judges. Ads were regularly placed in the press on behalf of its efforts.

The Committee also decided, in 1903, to publish "a generally understandable and convincing piece of propaganda that will make it possible to reach the broadest layers of the public with a refutation of the false conceptions that still often hold sway about the nature of Uranianism." Within four years this pamphlet, entitled What the People Should Know About the Third Sex, went into nineteenth edition.

Support for the petition was not limited to a few isolated stars. More than 6,000 prominent figures signed it, of whom half were doctors. Some of the others were: Finance Minister Rudolf Hilferding, Hermann Hesse, Franz Werfel, George Grosz, Krafft-Ebing, Karl Kautsky, Eduard Bernstein, Lou Andreas-Salomé, Max Brod, Martin Buber, Albert Einstein, Käthe Kollwitz, Heinrich Mann, Thomas Mann, Carl Maria Weber, Stefan Zweig, Grete Meisel-Hess, Gerhardt Hauptmann, Karl Pauli, Rainer Maria Rilke, and Arthur Schnitzler.

In addition to German signers, the petition received the (unsolicited) backing of a number of outstanding international personalities, among them Zola, Tolstoy, the Danish critic Georg Brandes, and Norway's most prominent nineteenth-century poet, Bjoernstjerne Bjoernson, who sent Hirschfeld the following note in December 1901: "For more than twenty years I have viewed this matter the same way you do, and if I were a German, I would sign."

Zola had been working on a novel called Le Roman d'un inverti (The Novel of an Invert), but he abandoned it because he was afraid to publish it. In a letter to Dr. Laupts on the subject of homosexuality, published in the preface of the latter's book Perversion et perversités sexuelles (Perversion and Sexual Perversities), Zola observed that "anything that relates to sex relates to social life itself. An invert is a disorganizer of the family, of the nation, of humanity."

On October 18, 1907, more than 2,000 people attended a debate on Paragraph 175. The Committee later described the debate as "a high point of the movement, so to speak, which was soon to go into a sudden decline." The "decline" was brought on by the hysteria surrounding a series of trials involving homosexuality and prominent gays. The scandals lasted for several months and had a generally conservatizing effect on public opinion.

In late 1910 a new draft penal code was introduced that proposed to extend criminal status to include sexual acts between women. This move brought a new dimension to the struggle -- the involvement of women's liberation groups.

By early 1911, meetings of women's organizations were being held throughout Germany to discuss ways to fight the proposed extension and to link the struggle of women with that of gays. A broad range of groups took up this matter, including Social-Democratic and bourgeois women's organizations.

One such meeting, reported at length in the Social-Democratic Vorwärts, was held in Berlin on February 10, 1911, by the local branch of the League for the Protection of Mothers. The turnout was so large that a second meeting had to be called two weeks later. The speaker for the Scientific Humanitarian Committee was Hirschfeld, who discussed the nature of homosexuality and the petition campaign.

Both meetings adopted a resolution condemning the law. This was the first public position taken by any important women's organization on this question. It called any attempt to extend criminal status to lesbianism "a serious mistake": "An inequality would not thereby be eliminated, but rather an injustice doubled. The doors would be thrown wide open to informers and blackmailers, and unmarried working women who share living quarters with other women would be burdened in the most shamefully damaging way, without in the process any interest being protected. At a very minimum, the gathering regards it as absolutely necessary that medical experts -- especially sex researchers and psychiatrists -- as well as women, be consulted on this question."

Following the several-year-long dislocation caused by the first world war, the petition campaign, which had receded into the background, was aggressively resumed in order to fight yet another draft penal code (introduced in 1919), which, although it dropped any proposed extension of criminal status to lesbians, still provided up to five years in jail for males who were convicted. Still, the more liberal climate prevailing in the period just following the war and the 1918 revolution gave gays considerable optimism that their struggle against the law was about to succeed.

In August 1920, the Committee held its first post-war general membership meeting. The meeting voted to form the united front of gay groups to fight the law, and it set up a special joint "action committee" to organize the fight. The committee was headed by Kurt Hiller.

In October 1921, a new minister of justice was appointed who was himself a signer of the petition.

Hopes were further buoyed when, after considerable pressure, the authorities agreed to provide a public hall inside the Reichstag building itself where the Committee could address interested members of the body. Fifty showed up fo a speech by Hirschfeld on March 15, 1922.

The meeting, reported the Committee, was "a significant event in the history of our movement. We want to hope that it may serve to bring us a good distance closer to our goal in the struggle for liberation that we are engaged in."

On March 18, 1922, the signed petition was finally presented to the Reichstag -- twenty-five years after it was launched. In December, the Reichstag voted to turn it over to the government for consideration. And there it appears to have remained, for, by 1923, the post-war economic and social chaos had reached such a point that the existence of the Committee began to be seriously threatened and the long efforts of the new gay movement that seemed so close to succeed were eclipsed.

Source: The Early Homosexual Rights Movement (1864-1935), John Lauritsen and David Thorstad, Times Change Press, New York, 1974.

Picture: In 1922 the leftist journalist Kurt Hiller published a collection of essays protesting Paragraph 175. The title translates as The Ignominy of the Century.